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quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Agradecimento especial aos apoiadores da Feira Mebengokré

Nós da Associação Floresta Protegida e os indígenas de Moikarakô queremos fazer um agradecimento especial aos apoiadores e parceiros, que tornaram possível a realização da I FEIRA MEBENGOKRÉ DE SEMENTES TRADICIONAIS.

Nosso muito obrigado a:  

USAID (agência de ajuda humanitária do governo Norte-americano 
VALE
FUNAI (Fundação Nacional do Índio)
MDA (Ministério do Desenvolvimento Agrário)
MDS (Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome)
MMA (Ministério do Meio Ambiente) 
TNC (The Nature Conservancy)
Prefeiruta Municipal de São Félix do Xingu
Secretaria de Meio Ambiente do Pará (SEMA-PA)
ICFC (Fundo Internacional de Conservação do Canadá)

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Culturas e sementes de variedades mil na I Feira Mebengokré


Encontro inédito na Terra Indígena Kayapó reúne 16 etnias do Brasil e discute estratégias para o fortalecimento dos povos tradicionais. Foto: Nathália Clark

São Félix do Xingu, 14 de setembro de 2012 – Para os parentes mais próximos, mais de oito horas de estrada da cidade até a aldeia. Para outros, mais de três dias de viagem. Mesmo assim, o cansaço não impediu o andamento e o sucesso da I Feira Mebengokré (Kayapó) de Sementes Tradicionais, realizada entre os dias 3 e 7 de setembro na aldeia Moikarakô, na Terra Indígena Kayapó, município de São Félix do Xingu (PA).
Apesar da distância, mais de mil indígenas de 16 povos do Brasil estiveram presentes neste grande intercâmbio cultural. Eles levaram consigo suas sementes, artesanatos, saberes e experiências. Além das lideranças, também participaram representantes do governo e de organizações da sociedade civil num encontro inédito para a valorização e fortalecimento da cultura e dos conhecimentos tradicionais dos povos indígenas.
“Essa primeira feira Kayapó foi grandiosa, já é um marco nas feiras de sementes indígenas”, disse a pesquisadora da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, Terezinha Dias. Segundo ela, o volume e a diversidade de sementes presente na Feira foi enorme. “Apareceram variedades genéticas e sementes tradicionais muito raras, quase escassas em alguns locais, como alguns tipos de favas e milhos. Os indígenas que tiveram a oportunidade de participar estão voltando satisfeitos e um pouco mais ricos para suas aldeias. Eles vão reintroduzir esses materiais, diversificando ainda mais suas lavouras.”
Indígenas Mebengokré, Kawaiwete (Kaiabi), Krahô, Apinajé, Canela, Karajá, Kisẽdjê (Suyá), Huni Kuĩ (Kaxinawá), Wajãpi, Galibi, Karipuna, Parakanã, Xikrin, Xavante, Xucuru e Tapayuna puderam expor e trocar sementes de variedades tradicionais de milho, melancia, algodão, cajú, castanha, fava, feijão, mandioca, cana e muitos outros cultivares tradicionais. “Eles trocam pouco, três ou quatro sementinhas, mas já dá para ver o brilho nos olhos de ter esse material, que um dia existiu em suas terras e foi perdido, de volta”, diz Terezinha.
Para a pesquisadora, a importância da I Feira Mebengokré, um evento do qual participaram muitas etnias distintas, é a promoção desse método de conservação local, que está se multiplicando no Brasil. “É um momento em que os indígenas se encontram para trocar seus materiais genéticos e conversar sobre a importância de não perder a riqueza dessas sementes relacionadas aos rituais, e a valorizar os agricultores que guardam essas sementes dentro das comunidades, aqueles que são os verdadeiros guardiões da agrobiodiversidade.”
Esse processo de conservação local da biodiversidade serve de contraponto a tudo o que vem acontecendo do lado de fora e muitas vezes também dentro das Terras Indígenas. Enquanto a agricultura voltada para o agronegócio reduz a diversidade genética, ao privilegiar o cultivo extensivo de poucas espécies, nas roças dos agricultores familiares indígenas a lógica é a diversificação. “São os verdadeiros bancos genéticos nacionais”, afirma Terezinha.
Para uma das maiores lideranças femininas do povo Kayapó, a nire (mulher) Tuire, o objetivo de fortalecer a cultura foi alcançado. “Estamos aqui trocando sementes, mas ao mesmo tempo nossa cultura está se fortalecendo, temos essa preocupação de que nossos costumes não venham a acabar, então estamos aqui presentes com objetivo de mostrar nossa cultura para as crianças, para que a juventude possa aprender, para que nossa gente, nosso povo seja mantido e preservado. Eu estarei sempre lutando por isso”, disse Tuire.
Os indígenas convidados também saíram bastante satisfeitos com a troca de culturas e a oportunidade de expôr seus conhecimentos tradicionais. Odacir Krahô veio da aldeia Pé de Coco, no Tocantins, e afirmou que seu povo volta para casa fortalecido. “Estão deixando muitos usos tradicionais da nossa cultura para trás. Essa Feira foi muito importante, pois, com tantas etnias juntas, trabalhamos juntos para retomar atividades e produtos antes perdidos.”
Construindo e cultivando parcerias
O Instituto Socioambiental (ISA), um dos parceiros da Associação Floresta Protegida (AFP) na realização da Feira, esteve presente e atuante nos debates, com objetivo, entre outros, de estender a rede de sementes já existente na região do Xingu, também ao povo Kayapó.
“Nós do ISA avaliamos o evento como bastante positivo, sobretudo destacando a capacidade dos Kayapó, da AFP e dos parceiros, de mobilizar não só o povo Kayapó, mas tantas etnias juntas. Promover esse encontro de diferentes culturas num só espaço já é um mérito por si só. É sempre importante ter um espaço para que esse diálogo ocorra, pois ele é raro, em função mesmo desse não encontro. Foi possível construir boas discussões”, disse Rodrigo Junqueira.
Como organização parceira que lidera o processo da rede de sementes com os indígenas do Xingu, o representante do ISA afirmou ter sido muito construtivo ver o grande interesse dos Kayapó, da Funai e da própria AFP em criar um movimento e articulação similar na região. “Houve bastante interesse em dar continuidade ao processo de criação da rede de sementes. O objetivo é valoriza ainda mais a floresta e retomar sementes esquecidas ou perdidas, além de ser uma fonte concreta e real de geração de renda para as populações indígenas.”
Os parceiros governamentais também participaram das discussões promovidas na Feira. Com o objetivo de traçar estratégias para que o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), possa atingir um maior número de beneficiários, marcou presença no evento a representante da Secretaria de Segurança Alimentar e Nutricional do Departamento de Comercialização e Aquisição de alimentos do MDS, Maria do Socorro Oliveira.
“O convite foi muito bem-vindo, pois é uma oportunidade de vivenciar com os indígenas a sua rotina de produção. Apoiamos a proposta da AFP ao PAA, a partir do qual dez indígenas entregaram a alimentação durante todo o evento, e queremos poder continuar apoiando iniciativas semelhantes. Essa parceria é extremamente importante para o governo, pois, ao comprar o alimento trazido pelo próprio indígena, reduzimos os custos de comercialização de fora. E também é importante para a comunidade, pois uma família produz e muitas outras consomem.”
Os indígenas Kayapó venderam ao MDS produtos como farinha, peixe, batata-doce, inhame e macaxeira, os quais foram doados para a Feira de Sementes e preparados durante o evento para a alimentação dos convidados.
“Temos hoje 180 indígenas Kayapó do sul do Pará que possuem a declaração de aptidão ao Pronaf [a DAP], uma credencial que diz quem pode participar do PAA. Com isso vamos fortalecer quem produz, garantir que os produtores tenham sua comercialização, e também, na ponta final, o consumo desse alimento produzido.”
Paralelamente, foram doadas 300 cestas básicas para a alimentação dos participantes indígenas da Feira, que vieram complementar os alimentos oriundos do extrativismo e das roças dos Kayapó , não só de Moikarakô, mas também de outras aldeias.
Da parte do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), que também vem atuando na Terra Indígena Kayapó, através de um projeto de assistência técnica e extensão rural (ATER), a Feira foi importante para solidificar a parceria já firmada e traçar caminhos para dar continuidade aos projetos em andamento.
“Nós atuamos junto ao povo Mebengokré com o objetivo de qualificar o conhecimento sobre o acesso às políticas públicas, com melhoramento da produção agrícola, transmissão de tecnologia, etc. De modo geral, eles querem uma continuidade das ações de ATER. As lideranças foram muito enfáticas quanto a isso: não faz sentido eles terem se esforçado para adquirir os conhecimentos se não têm como dar continuidade a isso”, afirmou Luiz Fernando Machado, coordenador do Núcleo de Assistência Técnica e Extensão Rural para Povos Indígenas do MDA.
“Como indigenista, servidor público e coordenador do núcleo, eu me comprometo com a população Kayapó a buscar apoio e fazer com que esse projeto de ATER seja mesmo um êxito. Vou me esforçar para convencer meus diretores da necessidade de estarmos mais atuantes não só dentro da Terra Indígena Kayapó, mas sobretudo aqui em Moikarakô, onde já atuamos e não podemos atrapalhar o andamento do projeto.”
Da parte da Funai (Fundação Nacional do Índio), Odenildo Coelho da Silva, coordenador da sede regional de Tucumã, afirmou que a Feira foi um evento de suma importância no aspecto cultural e para a integração entre os povos. “Qualquer ação que busque melhorias para os indígenas é válida, mas a Feira realmente superou expectativas. Muita gente compareceu, de vários povos distintos, e foi bonito ver essa interação, todos juntos reclamando seus direitos. As sementes fazem parte da cultura desses povos e a troca de experiências enriquece ainda mais. Com certeza queremos ampliar esse tipo de iniciativa, sempre tentando aperfeiçoar.”
Carta conjunta de repúdio
Durante as mesas redondas que aconteceram na Feira, as discussões levantaram assuntos de interesse direto dos povos indígenas, como saúde,  estratégias de fortalecimento da agricultura local e retrocessos na legislação referente a seus direitos, que impactam diretamente suas terras, seus modos de vida tradicionais e, consequentemente, a própria conservação local da diversidade biológica.
Como encaminhamento do encontro, foi elaborada uma carta  com participação e aprovação de todas as lideranças e povos presentes. O documento é direcionado à sociedade civil e a diversos órgãos do governo. Nele, caciques, pajés e lideranças manifestam publicamente seu repúdio ao Governo Federal pelos retrocessos sistemáticos relacionados aos direitos indígenas, e fazem uma série de exigências, como a revogação da Portaria 303 da Advocacia Geral da União (AGU), que fere preceitos estabelecidos na Constituição Federal, como a consulta aos povos indígenas no caso de empreendimentos que impactem diretamente suas terras e suas populações.
Além disso, eles pedem também que tenham tratamento digno de saúde nas aldeias e nas cidades, e que sejam ouvidos e consultados em qualquer processo que altera as leis referentes a suas terras e seus direitos, diferente do que foi feito na PEC 215 e na alteração do Código Florestal proposta e aprovada pelo Congresso Nacional.
“Nessa grande reunião, a Feira de Sementes realizada na minha aldeia Moikarakô, conseguimos juntar muitas etnias e lideranças. Eu fico muito feliz quando conseguimos juntar muitas forças para ajudar e defender nossos direitos e costumes. Os senadores, deputados e a presidente estão passando por cima dos nossos direitos. Essa portaria da AGU é muito ruim para todos nós, está ameaçando a nós, índios, e à Amazônia. Isso não pode acontecer, senão o Brasil não vai conseguir mais respirar. Esse carbono que estamos defendendo é para segurar o pulmão do Brasil”, frisou o cacique Akjabôrô, líder da nação Kayapó.
Ele questiona o motivo pelo qual os governantes não respeitam mais as leis nacionais. “Por que a lei no Brasil não vale mais nada? Os políticos do Congresso estão fazendo isso como ladrões, como bandidos. Mas eles têm que verificar isso, pois todos eles têm netos. Se o Brasil acabar, os netos dos deputados, senadores, todos vão morrer. Todo mundo vai acabar. Essa é uma preocupação muito grande que eu tenho. Como sou líder da nação Kayapó, vou lutar, não vou abaixar a cabeça e cruzar os braços, vou lutar até conseguir. Se a portaria permanecer, o significado disso é que está começando a guerra.”
A Carta Aberta de Moikarakô foi entregue nesta quarta-feira (12), em Brasília, à sub-procuradora geral da República, Deborah Duprat, ao Secretário Especial de Saúde Indígena, Antônio Alves, e à  Fundação Nacional do Índio (Funai), que protocolou o documento e se comprometeu a repassar aos demais ministérios, ao Congresso Nacional e à Presidência da República.
Apoio
A realização da I FEIRA MEBENGOKRÉ DE SEMENTES TRADICIONAIS contou com o apoio da USAID (agência de ajuda humanitária do governo Norte-americano), da Vale, Funai, MDA (Ministério do Desenvolvimento Agrário), MDS (Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome), MMA (Ministério do Meio Ambiente), TNC (The Nature Conservancy), da Prefeiruta Municipal de São Félix do Xingu, da Secretaria de Meio Ambiente do Pará (SEMA-PA), do ICFC (Fundo Internacional de Conservação do Canadá).

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Cacique Akjabôrô entrega Carta de Moikarakô em Brasília

Veja aqui algumas imagens da passagem do cacique Akjabôrô, líder da nação Kayapó, em Brasília, para entregar a Carta Aberta de Moikarakô aos órgãos e representantes federais.

Cacique Akjabôrô leva a Carta Aberta de Moikarakô à sede da Procuradoria Geral da República. 
Fotos: Nathália Clark


Nesta foto, Akjabôrô entrega a Carta ao Secretário Especial de Saúde Indígena, Antônio Alves.

Cacique Akjabôrô participa de audiência com a sub-procuradora geral da República, Deborah Duprat, na sede da Procuradoria Geral da República, em Brasília.

Líder da nação Kayapó lê a Carta Aberta para o plenário em audiência na Procuradoria Geral da República.

Aqui o cacique protocola os documentos na FUNAI. O órgão se comprometeu a repassar a Carta aos demais ministérios, ao Congresso e à Presidência da República.

Globo Rural acompanha I Feira Mebengokré de Sementes Tradicionais


A equipe do programa Globo Rural, da TV Globo, acompanhou os cinco dias da I Feira Mebengorké de Sementes Tradicionais. Resultado das discussões realizadas nas mesas redondas do encontro, foi formulada pelos indígenas pesentes uma carta, entregue nesta quarta-feira (12) em Brasília, pelo líder da nação Kayapó, Akjabôrô Kayapó. A Globo também esteve conosco durante todo o dia.

Em audiência realizada na sede da Procuradoria Geral da República, o cacique entregou a carta nas mãos da sub-procuradora geral da República, Deborah Duprat, e do Secretário Especial de Saúde Indígena, Antônio Alves. Logo depois, seguiu para a sede da Funai (Fundação Nacional do Índio), para encontrar a presidente do órgão, Marta Maria do Amaral. 

No entanto, ela estava em agenda fora e não pode nos receber pessoalmente. Mesmo assim, protocolamos os documentos e a chefe de gabinete da presidência da Funai se comprometeu a repassar a carta aos demais ministérios, ao Congresso Nacional e ao Palácio do Planalto. Nós pedimos uma audiência pública com a presidente Dilma Rousseff.

A Globo esteve junto conosco ontem em Brasília. Veja aqui a primeira parte da reportagem, que foi ao ar nesta quinta-feira (13), às 5h55. No próximo domingo, dia 16, às 8h, vai ao ar a reportagem completa da Feira. Não percam!

Abaixo segue a Carta Aberta de Moikarakô:

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CARTA ABERTA DE MOIKARAKÔ


À     Sociedade Civil
CC: Excelentíssima Presidenta da República do Brasil, Dilma Rouseff
Sr. Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo
Sra. Presidenta da Fundação Nacional do Índio, Marta Maria de Azevedo
Sr. Ministro do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas
Sra. Ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Sra. Tereza Campello
Sr. Ministro da Saúde, Sr. Alexandre Padilha
Sr. Secretário Especial de Saúde Indígena, Antonio Alves de Souza
Sr. Procurador Geral da República, Roberto Monteiro Gurgel Santos
Sr. Presidente do Senado Federal, José Sarney
Sr. Presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia
Sr. Advogado Geral da União, Luiz Inácio Adams

                
As lideranças e representantes dos povos Mebengokré (Kayapó), Kawaiwete (Kaiabi), Krahô, Apinajé, Canela, Karajá, Kisẽdjê (Suyá), Huni Kuĩ (Kaxinawá), Wajãpi, Galibi, Karipuna, Parakanã, Xikrin, Xavante, Xucuru e Tapayuna, reunidos entre os dias 3 e 7 de setembro de 2012 na Aldeia Moikarakô, durante a I Feira Mebengokré de Sementes Tradicionais, vêm a público manifestar seu repúdio ao Governo Federal pelos retrocessos sistemáticos relacionados aos direitos indígenas e exigir:
- a revogação imediata da Portaria 303 da AGU, que fere, entre outros, um de nossos direitos mais fundamentais que é o direito aos nossos territórios tradicionais, condição para a garantia de nossa reprodução física e cultural, segundo nossos usos, costumes e tradições, conforme garantido pela Constituição Brasileira de 1988;
- que sejamos ouvidos e consultados em qualquer processo que altera as leis referentes à nossas terras e nossos direitos, o que não foi respeitado na PEC 215, na alteração do Código Florestal e na Portaria 303 da AGU;
- que se cumpra a lei no que diz respeito aos empreendimentos que afetam as populações indígenas, haja visto os constantes descumprimentos e atrasos com relação às condicionantes em processos de licenciamento ambiental, evidenciados nos empreendimentos da UHE Belo Monte, da UHE Teles Pires, da Mineração Onça Puma, da UHE Estreito, entre outros;
- o abandono imediato de quaisquer projetos de barragens nas Terras Indígenas habitadas pelo povo Mebengokré. Nós não vamos aceitar!;
- maior atenção do Governo às nossas atividades produtivas, tanto para subsistência, quanto para geração de renda, incluindo a ampliação do corpo técnico e dos recursos orçamentários para o trabalho específico com povos indígenas em órgãos como MDS, MDA, MMA, Embrapa, Emater, Ceplac e a própria Funai;
- a edição de Medida Provisória que garanta uma faixa de proteção genética (livre de transgênicos) no entorno das terras indígenas, de forma que seja protegida a diversidade das sementes tradicionais, tal como previsto na proposta original da PNGATI;
- tratamento digno de saúde, tanto nas aldeias quanto nas CASAI’s, com médicos, enfermeiros, dentistas, infraestrutura e medicamentos de qualidade e em quantidade suficiente para o adequado atendimento à saúde das populações indígenas;
- a inserção dos tratamentos tradicionais realizados pelos pajés no sistema público de saúde, reconhecendo a importância do trabalho realizado por estes profissionais; 
Não desistiremos de nossos direitos. Podemos morrer lutando, mas não deixaremos de lutar!

Aldeia Moikarakô, Terra Indígena Kayapó, São Félix do Xingu-PA
07 de setembro de 2012

POVO MEBENGOKRÉ (KAYAPÓ)
Akjabôrô Kayapó, aldeia Moikarakô, TI Kayapó (PA)
Oro Muturua, aldeia Moikarakô, TI Kayapó (PA)
Jàtire Kayapó, aldeia Moikarakô, TI Kayapó (PA)
Kaikware Kayapó, aldeia Moikarakô, TI Kayapó (PA)
Moipa Kayapó, aldeia Moikarakô, TI Kayapó (PA)
Mokuká Kayapó, aldeia Moikarakô, TI Kayapó (PA)
Krwyt Kayapó, aldeia A´Ukre, TI Kayapó (PA)
Tumre Kayapó, aldeia A´Ukre, TI Kayapó (PA)
Bengoti Kayapó, aldeia A´Ukre, TI Kayapó (PA)
Mokrã Kayapó, aldeia Apeiti, TI Kayapó (PA)
Bengô Kayapó, aldeia Gorotire, TI Kayapó (PA)
Kubute Kayapó, aldeia Gorotire, TI Kayapó (PA)
Beti Kayapó, aldeia Gorotire, TI Kayapó (PA)
Barawy Kayapó, aldeia Gorotire, TI Kayapó (PA)
Bepryti Kayapó, aldeia Gorotire, TI Kayapó (PA)
Mãkaiwa Kaiapó, aldeia Kâkamkuben, TI Menkragnoti (PA)
Tekrery Kayapó, aldeia Kapran-krére, TI Las Casas (PA)
Takaktô Kayapó, aldeia Kapran-krére, TI Las Casas (PA)
Tuire Kayapó, aldeia Kapran-krére, TI Las Casas (PA)
Akjaboro Kayapó, aldeia Kawatire, TI Menkragnoti (PA)
Kukokumti Metuktire, aldeia Kaweretxikô, TI Capoto/Jarina (MT)
Mytkaturu Kayapó, aldeia Kedjerekrâ, TI Kayapó (PA)
Pykatire Kayapó, aldeia Kendjam, TI Menkragnoti (PA)
Kapron Kayapó, aldeia Kendjam, TI Menkragnoti (PA)
Mobdjô Kayapó, aldeia Kendjam, TI Menkragnoti (PA)
Ropni Kayapó, aldeia Kikretum, TI Kayapó (PA)
Takakdjam Kayapó, aldeia Kokokuedja, TI Kayapó (PA)
Bote Kayapó, aldeia Kokokuedja, TI Kayapó (PA)
Bekwaj Kayapó, aldeia Kokokuedja, TI Kayapó (PA)
Barabat Kayapó, aldeia Kokraimoro, TI Kayapó (PA)
Takakmrajti Kaiapó, aldeia Kóróroti, TI Menkragnoti (MT)
Bebaiti Kayapó, aldeia Krãnhkrô, TI Kayapó (PA)
Tongrati Kayapó, aldeia Kremáiti, TI Kayapó (PA)
Baykajyr Kayapó, aldeia Kremáiti, TI Kayapó (PA)
Patxon Metuktire, aldeia Kremoro, TI Capoto/Jarina (MT)
Bemoro Metuktire, aldeia Krétire, TI Capoto/Jarina (MT)
Ngruakô Metuktire, aldeia Krétire, TI Capoto/Jarina (MT)
Uitsuma Waurá Txucarramãe, aldeia Krétire, TI Capoto/Jarina (MT)
Noire Kaiapó, aldeia Krétire, TI Capoto/Jarina (MT)
Nhakti Kaiapó, aldeia Krétire, TI Capoto/Jarina (MT)
Ngreiwô Kaiapó, aldeia Krétire, TI Capoto/Jarina (MT)
Takangri Kaiapó, aldeia Krétire, TI Capoto/Jarina (MT)
Ngôtyk Kayapó, aldeia Kriny, TI Kayapó (PA)
Porekrô Kayapó, aldeia Kriny, TI Kayapó (PA)
Nhongóre Kayapó, aldeia Kubenkókre, TI Menkragnoti (PA)
Nejamro Kayapó, aldeia Kubenkókre, TI Menkragnoti (PA)
Kokoró Kayapó, aldeia Kubenkókre, TI Menkragnoti (PA)
Nhakete Kayapó, aldeia Kubenkókre, TI Menkragnoti (PA)
Bati Kayapó, aldeia Kubenkókre, TI Menkragnoti (PA)
Beptopup Kayapó, aldeia Kubenkókre, TI Menkragnoti (PA)
Panhtyk Kayapó, aldeia Kubenkrankei, TI Kayapó (PA)
Irã-amraire Kayapó, aldeia Kubenkrankei, TI Kayapó (PA)
Takakrati Kayapó, aldeia Las Casas, TI Las Casas (PA)
Amioti Kayapó, aldeia Motukô, TI Kayapó (PA)
Katapnhô Kayapó, aldeia Mótukô, TI Kayapó (PA)
Takakngri Kayapó, aldeia Ngôméiti, TI Kayapó (PA)
Miki Kayapó, aldeia Piôkrótikô, TI Kayapó (PA)
Tedjaai Kayapó, aldeia Pukatoti, TI Kayapó (PA)
Krywapreti Kayapó, aldeia Pykany, TI Menkragnoti (PA)
Ropkrã Kayapó, aldeia Pykany, TI Menkragnoti (PA)
Bepkâmoroti Kayapó, aldeia Pukany, TI Kayapó (PA)
Kaxokâ Kayapó, aldeia Pykarãrãnkre, TI Kayapó (PA)
Karapere Kayapó, aldeia Pykarãrãnkre, TI Kayapó (PA)
Takakpê Kayapó, aldeia Rikaró, TI Kayapó (PA)
Kokokumen Kayapó, aldeia Tepjdaiti nhõ ngô, TI Kayapó (PA)
Mro-ô Kayapó, aldeia Turedjam, TI Kayapó (PA)
Takaktyx Kayapó, aldeia Turedjam, TI Kayapó (PA)
POVO TAPAYUNA
Botkati Tapayuna, Aldeia Kaweretxikô, TI Capoto/Jarina (MT)
Kunitxi Tapayuna, Aldeia Kaweretxikô, TI Capoto/Jarina (MT)
POVO XUCURU
Cecílio Santana Feitosa, aldeia Cana Brava, TI Xucuru (PE)
Severino Ricardo de Souza, aldeia Brejinho, TI Xucuru (PE)
POVO KAWAIWETE (KAIABI)
Aramut Kaiabi, aldeia Kwaruja, PI Xingu (MT)
Tarako Kaiabi, aldeia Ilha Grande, PI Xingu (MT)
Arita Kaiabi, aldeia Guarujá, PI Xingu (MT)
Kumhakate Kaiabi, aldeia Tuiararé, PI Xingu (MT)
Yamanary Kaiabi, aldeia Tuiarare, PI Xingu (MT)
Pitai Kaiabi, aldeia Capivara, PI Xingu (MT)
Siruka Kaiabi, aldeia Capivara, PI Xingu (MT)
POVO KISẼDJE
Yaiku Suya, aldeia Ngojhwere, TI Wawi (MT)
Kokohwire Suya, aldeia Ngojhwere, TI Wawi (MT)
POVO HUNI KUĨ (KAXINAWÁ)
Ibã Huni Kui (Francisco Melo Macário), aldeia Nova Vida, TI Kaxinawa da praia do Carapanã (AC)
Shane Huni (Vanderlon Pinheiro Damião), aldeia Morada Nova, TI Rio Jordão (AC)
Ixã Huni Kui (Ruinete Sereno Kaxinawá), aldeia Xinã Besti, TI Rio Breu (AC)
POVO KRAHÔ
Osmar Cuhkõ Krahô, aldeia Manoel Alves Pequeno, TI Krahô (TO)
Getulio Kruwakraj, aldeia Manoel Alves Pequeno, TI Krahô (TO)
Maria José Krahô, aldeia Manoel Alves Pequeno, TI Krahô (TO)
Mara Xawri Krahô, aldeia Manoel Alves Pequeno, TI Krahô (TO)
Silas Woôco, aldeia Pedra Branca, TI Krahô (TO)
José Dilson Krahô, Aldeia Manoel Alves Pequeno, TI Krahô (TO)
Domingos Kàj Krahô, aldeia Manoel Alves Pequeno, TI Krahô (TO)
Alideo Krahô, aldeia Manoel Alves Pequeno, TI Krahô (TO)
Olegário Têjapôc Krahô, aldeia Pé-de-coco, TI Krahô (TO)
Valdeci Krahô, aldeia Pé de coco, TI Krahô, TI Krahô (TO)
Vilmar Krahô, aldeia Cachoeira, TI Krahô (TO)
Odílio Pêehhà Krahô, aldeia Cachoeira, TI Krahô (TO)
Adão Xaj, aldeia Manoel Alves Pequeno, TI Krahô (TO)
André Cunihtyc Krahô, aldeia Manoel Alves Pequeno, TI Krahô (TO)
Daiana Cukrehkwyj Krahô, aldeia Pedra Branca, TI Krahô (TO)
Carmem Lucia Mãkryt Krahô, aldeia Manoel Alves Pequeno, TI Krahô (TO)
Marcelo Pryjara Krahô, aldeia Manoel Alves Pequeno, TI Krahô (TO)
Romário Coromã Krahô, aldeia Manoel Alves Pequeno, TI Krahô (TO)
Michel Hãjhã Krahô, aldeia Manoel Alves Pequeno, TI Krahô (TO)
Raquel Rorkwyj Krahô, aldeia Manoel Alves Pequeno, TI Krahô (TO)
POVO KARAJÁ
Josué Trebiaré Karajá Filho, aldeia Tamara, TI Xambioá
Denilson Terroribele S. Karajá, aldeia Wari-ly-ty, TI Xambioá
POVO CANELA
Alcebiades Cahma Canela, aldeia Escalvado (MA), TI Canela
Antônio Ferreira Karowkra Canela (MA), aldeia Porquinhos (MA), TI Porquinhos
Telico Teteti, aldeia Porquinhos (MA), TI Porquinhos
Antonio Kawaioto Canela, aldeia Porquinhos (MA), TI Porquinhos
Arcanjo I Ky Canela, aldeia Escalvado (MA), TI Canela
Osmar Calahcle Canela (MA), aldeia Porquinhos (MA), TI Porquinhos
João Luciano Canela, aldeia Escalvado (MA), TI Canela
Antonio Polotoi, aldeia Escalvado (MA), TI Canela
POVO APINAJÉ
Oscar Apinajé (MA), TI Apinajé
Cândido de Souza (MA), TI Apinajé
Albino Dias Apinaje (MA), TI Apinajé
Sirãx Apinajé (MA), TI Apinajé
Vilson Pereira Ribeiro (MA), TI Apinajé
Ireti Apinaje (MA), TI Apinajé
Jorge Almeida Dias (MA), TI Apinajé
Amnhioac Apinage (MA), TI Apinajé
Elias Salvador Sotero (MA), TI Apinajé
Valdir Hapor Dias Apinaje (MA), TI Apinajé
Irepxi Iremex Apinaje (MA), TI Apinajé
Towõ Apinaje (MA), TI Apinajé
Sandra Fernandes Apinaje (MA), TI Apinajé
Maria Fernandes Apinage (MA), TI Apinajé
José Kunduka Ribeiro Corredor (MA), TI Apinajé
Marcio Xavito Apinaje (MA), TI Apinajé
POVO XAVANTE
Temirete, aldeia Marâiwatsédé, TI Maraiwatsede (MT)
Estevão, aldeia Marâiwatsédé, TI Maraiwatsede (MT)
POVO MEBENGOKRÉ XIKRIN
Bekire Kayapó, aldeia Potkrô, TI Trincheira Bacajá (PA)
Bebêre Xikrin, Mrôtidjãm, TI Trincheira Bacajá (PA)
POVO PARAKANÃ
Axia Parakanã, aldeia Kwaraya-Pya, TI Apiterewa (PA)
Akwara Parakanã, aldeia Paranopiona, TI Apiterewa (PA)
POVO WAJÃPI
Kumaré Wajãpi, TI Waiãpi
POVO GALIBI
Domingos Galibi Marworno, TI Uaça
Paulo Galibi Marworno, Aldeia Manga, TI Uaça
POVO KARIPUNA
Josinei Karipuna, Aldeia Manga, TI Uaça

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Feira Mebengokré na Rádio Nacional - parte 03

Aqui segue a entrevista com a pesquisadora Terezinha Dias, da Embrapa Recursos Genéticos em Brasília, que também participará da Feira Mebengokré com nosso povo. Ela conta a lenda de Catxêkwyj, a estrela mulher que trouxe as sementes e ensinou o povo indígena Krahô, precursor na realização das Feiras de Sementes, a arte do cultivo.

30-08-12 - VIVA MARIA - QUINTA

Feira Mebengokré na Rádio Nacional - parte 02


Aqui segue a segunda parte da entrevista com nosso coordenador da I Feira Mebengokré de Sementes Tradicionais, Fernando Niemeyer, para o programa Natureza Viva, da Rádio Nacional.

26-08-12 - SEMENTES FERNANDO - PARTE 02

Feira Mebengokré na Rádio Nacional - parte 01

Para quem perdeu, agora pode ouvir a primeira parte da entrevista com Fernando Niemeyer, nosso coordenador da I Feira Mebengokré de Sementes Tradicionais, para o programa Natureza Viva, da Rádio Nacional. O programa é comandado pela jornalista Mara Régia, e a entrevista foi ao ar no dia 26 de agosto.

26-08-12 - SEMENTES FERNANDO - PARTE 01

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Mapa de Moikarakô

Aqui vocês podem ver o mapa da nossa aldeia Moikarakô com alguns espaços da comunidade, como a escola, a farmácia, a casa dos pajés e o riozinho. A casa dos guerreiros é muito importante para nós e por isso fica bem no centro de nossa aldeia.


Atividades Feira Mebengokré

Vejam todas as atividades previstas para o encontro de culturas na aldeia Moikarakô. Teremos oficinas, mesas redondas e muita roda de conversa.

 

Programação Feira de Sementes

Confiram a programação completa do evento:


Folder Feira de Sementes

Com menos de uma semana para o evento que o povo Mebengokré mais espera nesse ano, todos os materiais já estão circulando. Veja a capa do folder que preparamos para a Feira de Sementes.


Localização da aldeia Moikarakô

Veja a localização da aldeia Moikarakô dentro da Terra Indígena Kayapó. É lá que vai acontecer, entre os dias 3 e 7 de setembro, a I Feira Mebengokré de Sementes Tradicionais. Estamos na contagem regressiva para esse grande intercâmbio cultural. Nosso povo já começou a receber os primeiros convidados. Aguardamos todos!

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Comunidades de Moikarakô em ritmo de festa

Os preparativos para a Feira continuam! Com menos de duas semanas para o evento, as mulheres (nire) da aldeia já começam a pintar as crianças e os adultos.

A nire da aldeia Moikarakô pinta seu neto (Foto: Adriano Jerozolimski).

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Mais cartazes da Feira Mebengokré

Mais dois cartazes da Feira ficaram prontos. Esse primiero traz a pintura do kapran (jabuti). Durante o evento vamos fazer uma oficina de pintura Mebengokré, para as meninas mais novas aprenderem com as mais velhas e também para os parentes de fora verem e mostrarem a pintura deles.


Este segundo traz outro de nossos grafismos.


segunda-feira, 20 de agosto de 2012

V Feira de Sementes Quilombolas do Vale do Ribeira


Em São Paulo, na cidade de Eldorado, também aconteceu, no último fim de semana, a já tradicional Feira de Troca deSementes e Mudas Tradicionais Quilombolas do Vale do Ribeira. A sua quinta edição foi realizada nos dias 17 e 18 de agosto. O evento mostrou a grande diversidade de espécies e variedades agrícolas dos quilombos do Vale do Ribeira, com intuito de fortalecer a atividade da roça nas comunidades.

Este evento mobilizou as comunidades, a população da cidade e os convidados para trocarem sementes, mudas e outros produtos tradicionais. O trabalho agrícola é a principal atividade produtiva nos quilombos do Vale do Ribeira. Para produzir os alimentos que sustentam suas famílias, homens e mulheres cultivam arroz, feijão, milho, mandioca, cana, banana e tantas outras verduras, hortaliças e frutas.

Junto com a feira ocorreu também o seminário “Roças Quilombolas: Alimento, Cultura e Biodiversidade”. O debate tratou da importância e das ameaças à manutenção da cultura da roça. O trabalho na roça é a base da organização sociocultural tanto para os quilombolas quanto para as comunidades indígenas. É muito importante para a segurança alimentar das famílias, para a manutenção das tradições culturais e da biodiversidade dos produtos.

A atividade do cultivo exige um conjunto de relações, saberes e práticas que serve de base para a organização sociocultural desses povos. A roça é o centro do sistema agrícola e por isso é tão importante pata a manutenção do patrimônio cultural das comunidades. A maiorida dos bens relacionados ao patrimônio cultural desses povos tradicionais são diretamente ligados à roça.

A Feira é uma iniciativa do Instituto Socioambiental (ISA), em parceria com as associações das comunidades quilombolas e outras entidades, além da Prefeitura Municipal de Eldorado, de Itaóca e de Registro, e da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo.

domingo, 19 de agosto de 2012

Festivais de Sementes Tradicionais ao redor do mundo


A Feira Mebengokré de Sementes Tradicionais é inédita para o nosso povo, mas queremos mostrar a vocês que eventos semelhantes já vêm acontecendo em diferentes lugares e com diferentes povos em todo o mundo. E esses dias de agosto e setembro estão repleto deles!

Na primeira semana de agosto de 2012, do dia 1o ao dia 7, a Associação Kokopelli promoveu o Festival Kokopelli-PachaMama, no Peru, no Vale Sagrado dos Incas. O evento foi realizado para comemorar os 20 anos de trabalho da associação com sementes de produtores tradicionais. 

Centenas de jovens de todas as regiões da América Latina viajaram até lá para essa troca de culturas e conhecimento. O evento reuniu mais de 400 pessoas em torno do tema da produção e comercialização de sementes nativas.

Estufas de produção de sementesde pura variedade (Foto: Divulgação Associação Kokopelli).

Durante uma semana, o Festival Kokopelli apresentou exposições, ateliers e conferências sobre as sementes de vida e da biodiversidade, sobre técnicas da agroecologia, sobre as plantas medicinais, sobre as plantas sagradas, sobre os artesanatos dos diversos povos da região do Peru, sobre a gestão dos recursos locais (arquitetura em terra, plantas corantes), etc.

Durante o Festival, doi criada uma Rede para a Defesa das Sementes Livres no nosso continente. Representantes de organizações campesinas, educacionais, organizações autônomas e diversos outros movimentos estavam presentes na cidade de Ollantaytambo, a 2 horas de MachuPicchu.

Os princípios da rede encontram-se no documento que segue ao final desta nota, e preveem a valorização dos guardiãos e guardiãs de sementes e seus coletivos e associações, reclamando o direito que possuem de produzir e comercializar sementes livremente, tendo como base modelos agroecológicos e solidários.

A Kokopelli é uma organização francesa que trabalha há mais de 20 anos com aproximadamente 2500 sementes tradicionais em uma coleção livre. A ong francesa enfrenta processos judiciais na Europa por defender que os produtores de sementes tradicionais possam guardar, multiplicar e até mesmo comercializar suas sementes livremente.